terça-feira, 16 de agosto de 2016

CONVERSA COM D. HELDER

Rio, 01.02.1958. Um longo artigo de capa da Visão apresentava a multifacetada atividade de Dom Hélder Câmara no Rio de Janeiro: Assistente Eclesiástico da Ação Católica Brasileira, Diretor do ensino religioso da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Autor de um programa de rádio diário “O Pão Nosso de Cada Dia”, responsável pela saída dos  emigrantes e pela entra dos imigrantes que entravam e saíam do Brasil, membro do Conselho Estadual de Educação, membro do Conselho Federal de Educação e, sobretudo, responsável pela urbanização das favelas do Rio de Janeiro. Diante de tal massa de ações, de gestos, pensei “ou ele é de outro barro, diferente do meu, ou tem um mistério”. Preferi optar pela segunda hipótese. Então lhe escrevi: Dom Hélder, faz de conta que o senhor vai morrer hoje e Deus lhe diz “Ensine a este tudo o que Eu lhe ensinei”. Não precisa me responder. Vou buscar a resposta pessoalmente. Essa carta estava sendo escrita do Recife. Eu me apresentava com a modesta pretensão a substituir Dom Hélder.
Como ia entrar para a Companhia de Jesus no dia 02 de fevereiro de 1958, em Itaici, São Paulo, no dia 1°, estive na casa de Dom Hélder para a conversa em que me revelaria o seu mistério.
Trim... ouvi o despertador tocar. De repente, sai aquele homem minúsculo, com batina e sobretudo. Aproximo-me:
-          Dom Hélder, sou o homem do Testamento Espiritual.
-          Ah, sim. Você está livre?
-          Estou.
-          Então vamos esperar  o bonde.

Aquilo me chocou demais. Como é que um homem tão ocupado ainda tem tempo de esperar o bonde? É que Dom Hélder foi, de fato, um homem que optou pela pobreza. Nunca possuiu um carro. Nós o vemos, às vezes, no estribo do bonde, quase a despencar no asfalto . Prefere estar aí, com o seu Povo, a estar no seu carrão ou mesmo no seu carrinho.
Dom Hélder perguntou:
-          O que você vai fazer da vida?
-          Vou entrar no noviciado da S. J.
-          Ah, eu também desejei muito ser jesuíta. Quando estava no Seminário, em Fortaleza, fui  várias vezes a  Baturité, onde estudam os candidatos a jesuíta .E sempre que voltava fisgado por eles, meu Diretor Espiritual e meu Diretor do Seminário me davam para ler as conferências do Cardeal  Mercier, em que ele exaltava o sacerdócio cristão por sobre a vida religiosa, coisa que não está conforme ao ensinamento da Igreja. O padre Leonel Franca, que era meu Diretor Espiritual, no Rio de Janeiro, disse que eu estava no lugar certo. Não me dei por satisfeito.  Fui ao Padre Aloízio Rioux, então Provincial dos Jesuítas. E também este confirmou que eu estava no lugar certo. Aí, uma vez, um franciscano me abordou, dizendo “Tenho uma mensagem do céu para o senhor: o senhor deve se tornar franciscano”. Então lhe perguntei “onde estão as credenciais de que a mensagem é mesmo do céu? Tentei, recentemente ser jesuíta e eles me disseram que eu estava no lugar certo”
Aí Dom Hélder se voltou para mim e disse:
- Você vai ter as suas regras. Eu criei as minhas regras. Mas, embora estejamos trilhando caminhos diferentes, há, entretanto, um núcleo comum a essas diferenças.

E retomamos a nossa caminhada. Fomos pegar o bonde, mas logo passou um amigo que nos deu uma carona. E fomos para a Escola de Enfermagem Ana Néri, onde D. Hélder celebrava diariamente. A celebração era de alguém que via o invisível e este invisível estaria transbordando de amor e santidade. A sua Missa foi tal que, embasbacado, não percebi que era chegada a hora de mudar o missal do lado da epístola para o do Evangelho. Na época havia esta mudança. A Comunhão lembrava o pelicano que tira do seu peito ensangüentado o alimento para seus filhotes. Assim tirava ele, da âmbula, bem apertada ao peito, o Corpo do Senhor para alimentar os caminheiros na sua caminhada.  Terminada a celebração, fomos tomar um cafezinho e conversar.                                                                                                         Dom        Hélder, qual o seu mistério? -  perguntei-lhe, ansioso. Ele me respondeu:
Eu me esforço por viver o meu batismo. Está vendo estas mãos? E as apertava uma contra a outra. Não são minhas, são de Cristo. Está vendo estes olhos – e apontava para os olhos – não são meus, são de Cristo. Eu só tenho uma tristeza, a de não ser bastante transparente para que os homens não se detenham em mim, mas vão direto a Jesus Cristo.
Repliquei:
-          Ótimo. Tudo bem. Mas como chegar lá?
-          Só duas coisas são necessárias: oração e humildade.

ORAÇÃO Deus tem sido muito  bom comigo. Eu não preciso dormir muito. Vou dormir às 23 horas, meia-noite. Às 2 horas me levanto e me apresento ao Pai, em união com Jesus Cristo, a interceder por todas as pessoas que conheço: o pessoal aqui da favela, que sai de casa sem ter quem os ame e que cai nas ruas esquecido e  abandonado por todos. E não apenas daqui da favela. Todos os meus conhecidos, por quem intercedo junto ao Pai. E não só os conhecidos, Mas os completamente estranhos.. E não só os de hoje, mas os que virão no futuro. Então, ele se aproximou do meu ouvido e segredou: “Quando os meus ossos forem pó, ainda haverá gente beneficiando da minha oração.” Aquelas palavras caíram na minha alma como uma pedra num poço.
HUMILDADE. Ninguém chega à humildade a não ser pela humilhação. E, ninguém passa pela vida sem  4 ou 5 humilhações de 1ª Classe com oitava privilegiada. E diante de tais humilhações só há duas respostas: a do pagão, que se revolta, e a do cristão, que se submete, como Cristo.
             Eu estava no Seminário. A professora de Psicologia começou a ensinar umas barbaridades. Todos ficavam calados. Até que eu, me  levantei e me pus a contestá-la. A partir daí, no Seminário só se falava em Hélder, Helder, Helder.  Até a Fortaleza intelectual havia se voltado para a polêmica. Que já transbordara para os jornais. A certa altura dos acontecimentos, Monsenhor Tabosa, Reitor do Seminário, mandou chamar-me.
Bati à sua porta. Ele me convidou para entrar:
-          Ah, eu soube que o senhor está escrevendo uns artigos.
-          Sim, monsenhor. A professora de Psicologia estava ensinando umas barbaridades. Era preciso que alguém lhe desse uma resposta, era preciso que alguém, diante dela ousasse defender a nossa fé. 
-          Eu tenho uma coisa para lhe dizer:
-          Pois não Monsenhor.
-          O senhor ontem escreveu o seu último artigo.
-          Mas, monsenhor, deixe-me, ao menos, responder ao de hoje!
-          O senhor, ontem, escreveu o seu último artigo. É só o que eu tenho a dizer.
-          Aí desabou sobre mim uma grande tempestade: “isso é um velho rabugento, um alienado, você é que é o defensor da fé, você é que sentiu as necessidades da Igreja, você é que percebeu os sinais dos tempos e traduziu essa percepção em ação iluminada....
- Fiquei profundamente chocado com a oposição intransigente de Monsenhor Tabosa; inclusive com a perspectiva de sair do Seminário: se teimasse em escrever. Veio lá, do mais profundo de mim mesmo, o recurso a Maria: minha  Mãe, não me deixe sair daqui assim, em tempestade, daqui assim, eu não saio. E fui me encaminhando pra capela Aí me lembrei do Evangelho do dia,  29 de Julho, dia de Santa Marta: “Marta, Marta, por que estais preocupada com tantas coisas, só uma é necessária”. E de fato, eu estava me preparando para receber a tonsura, uma coroa que não é de louros  mas  de espinhos, não é de glória, mas de ignomínia e eu me inchando de orgulho. Com estes e outros pensamentos, ao longo de 3 horas fui     apaziguando o meu espírito, recuperando a minha serenidade interior. Por que? Porque acatara  a  minha 1ª e maior humilhação, até então vivida, a de 1ª classe com Oitava privilegiada.. .
 Quando saí da capela, percebi que os meus colegas seminaristas se reuniram no Refeitório para fazer uma manifestação de apoio a mim e de rebelião ao superior. Ai vivi o maior drama da minha vida: decepcionar os que me defendiam e alegrar os que me humilharam. Abracei então, com toda a coragem, com todas as forças, a maior das humilhações vividas até então. Aos meus colegas que me exaltaram e achincalharam meu superior gritei: “Bendito o homem que furou o balão do meu orgulho”. Foi um grande balde de água fria em todos os presentes. Então comentou: “Se eu tivesse me rebelado, teria perdido a vocação e não sei se também a fé. Mas, o ter-me submetido salvou-me a vocação, a fé. E Até hoje as maiores graças que DEUS me tem dado tem sido no dia 29/07, comemorando por assim dizer, a primeira humilhação abraçada de todo o coração.”
Dom Hélder, que após o ano de 64, tornara-se um homem proibido aqui no Brasil, não podendo nem ele falar, nem ninguém falar sobre ele; foi chamado, pelos cinco continentes a dar o testemunho de sua vida e a iluminá-los com a luz de sua sabedoria. Ele que fora assim humilhado foi escolhido três vezes consecutivas para prêmio Nobel da Paz. E por estas três vezes  foi impedido de ganhar o prêmio pelas autoridades brasileiras. Em compensação ganhou o prêmio Popular da Paz, três vezes mais valioso que o Nobel..
Dom Hélder, que convidara o Padre José Comblin e François Houtard, da Europa, Padre Henrique Cláudio da Lima Vaz e Alceu Amoroso Lima, do Brasil, para refletirem sobre temas do concílio, e fora proibido por seu superior eclesiástico D. Jaime de Barros Câmara e teve que mandar de volta os teólogos europeus, passando um grande vexame, este D. Helder foi reconhecido por pesquisa de padres suíços como a personalidade mais influente do concílio. Os homens sempre quiseram humilhá-lo, mas DEUS sempre o exaltou.


sábado, 9 de janeiro de 2016

Mensagem de Ano Novo.

  1. Comecei a escrever uma Mensagem de Ano Novo. Mas sumiu. Retomei, sumiu outra vez. Era aquela de "PERDOA-NOS AS NOSSAS OFENSAS, ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TÊM OFENDIDO" e a outra versão antiga: "PERDOA-NOS AS NOSSAS DÍVIDAS ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS AOS NOSSOS DEVEDORES" e começava por nós, pessoas físicas, com CPF, e depois pessoas jurídicas, com CNPJ, quer privadas quer públicas. Todas as Micro, Médias e Grandes Empresas, Nacionais e Multinacionais, com dívidas legais ou ilegais, lícitas ou ilícitas
    . Quem sabe, o rombo causado pelos salários orgíacos, criminosos, de lesa a pátria, com os benefícios, aposentadorias especiais do Supremo Tribunal Federal, do Congresso Nacional, do Senado, a Câmara Alta, da Câmara dos Deputados Federais, agora rebaixada pelo seu Presidente até DEUS sabe onde! Quem sabe, esse rombo em vez de ter-se acumulado ao longo dos anos, sem essa criminosa despesa, em vez de rombo não teríamos agora um superavit? Todos mamando, sem ninguém admitir que lhe tirem a teta da boca, a Viuva vai acabar hesaurida, esgotada,"que nem o leite do pranto tem que dar" pra seus filhos famintos, doentes, nos corredores dos hospitais, na miséria e na IGNORÂNCIA, embora nessa Pátria Educadora! Mas, nós, o Povo que temos o poder de admitir e demitir os que darão destino aos trilões arrecadados, trocamos este PODER por um par de havainas, ou quando muito por um cheque ou pela nomeação de um filho nosso que passou num concurso e espera ocupar uma vaga, às vezes onde não cabe mais ninguém. Neste nosso regime em que o POVO ESTÁ NO PODER, NÓS SOMOS OS PRIMEIROS CORRUPTOS. E que podemos colher senão o que plantamos? Queira DEUS, 2016 SEJA O COMEÇO DA NOSSA CONVERSÃO, E ASSIM NOMEEMOS SUBALTERNOS NOSSOS, SERVIDORES NOSSOS. OS SERVIDORES PÚBLICOS ESTÃO AÍ PARA SERVIR O PÚBLICO. NÓS É QUE SOMOS O COMEÇO DE TODOS OS DESVIOS. NÓS COLOCAMOS LÁ PESSOAS PARA SE SERVIREM DO PÚBLICO, PARA TEREM UM BOM SALÁRIO. NÃO PARA RECEBEREM UM SALÁRIO JUSTO PARA SERVIREM O PUBLICO. BASTA! BASTA!! BASTA!!! O POVO NO PODER PARA ADMITIR QUEM SIRVA O POVO. E SE NÃO SERVIR O POVO, O POVO DEMITIRÁ. O POVO  realmente no PODER: EIS A ÚNICA SOLUÇÃO. MAS UM POVO DIGNO, NÃO CORRUPTO. UM POVO CONSCIENTE DO SEU PODER DE ADMITIR  E DEMITIR. UM POVO CONVERTIDO AO BEM COMUM E NÃO EMBRIAGADO PELOS MILHÕES OU MERRECAS DE SEUS PRÓPRIOS BOLSOS.